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A gota que ninguém viu

The Drop Nobody Saw

C2 · Proficient · 2 min read

Num corredor do edifício de Física há um funil de vidro com breu preto. Parece uma pedra negra e dura, mas corre, tão devagar que uma gota se forma e cai só de oito em oito anos, mais ou menos. O professor Okafor, que tinha setenta e um anos, olhava para ele há quarenta anos. Tinham caído cinco gotas nesse tempo, e ele perdera todas: uma enquanto almoçava, uma no dentista, uma na única noite em que foi para casa doente.

A sexta gota estava pendurada na ponta do funil, comprida e fina, pronta a cair a qualquer dia. O Okafor ia reformar-se no fim do mês. A neta Wen, de treze anos, foi ficar com ele e montou uma câmara, mas a bateria acabou às duas da manhã. O Okafor tinha adormecido no sofá do corredor. A Wen sentou-se num banco com um termo e uma manta e não tirou os olhos do funil, como quem vigia um tacho que, mais cedo ou mais tarde, tem de ferver.

Às três e doze o fio esticou, afinou e caiu com um pequeno plop no copo, por baixo. Ela tinha visto! Abanou o avô. «Avô. Caiu.»

Ele olhou para a ponta vazia e para a gota nova no copo; perdera-a pela sexta vez. «Conta-me como foi.» Ela contou-lho. Ele escreveu no caderno de registo: «Gota seis. Três e doze da manhã. Vista pela Wen, de treze anos.» «A próxima cai daqui a uns oito anos», disse a Wen. «Vou ter vinte e um anos. Trago um termo.»

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