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Everyday life

A primeira piada

The First Joke

C2 · Proficient · 2 min read

O Yusuf tinha onze anos quando se mudou para um país novo com a mãe, que tinha lá arranjado trabalho. No primeiro dia na escola, percebia uma palavra em cada dez, ou seja, o mundo soava como um rádio entre duas estações. Na cantina, quis dizer: «Tenho fome.» Em vez disso, disse à senhora da cantina: «Sou uma sandes.» Ela olhou-o longamente e deu-lhe um pepinilho.

Todas as noites, o Yusuf aprendia cinco palavras novas e colava papelinhos nas coisas do apartamento: porta, janela, colher, chaleira. Depressa a casa toda ficou etiquetada, como um museu muito pequeno. Na turma, sentava-se ao lado dele uma menina chamada Mia. Falava muito depressa, mas, quando ele se perdia, fazia-lhe desenhos com paciência. Em casa, a mãe também estava a aprender e, uma manhã, disse «bom dia» com orgulho ao autocarro inteiro.

Passados dois meses, a professora anunciou que, na sexta-feira, cada criança falaria durante um minuto. O Yusuf treinou diante do espelho da casa de banho até o espelho saber o discurso melhor do que ele. Na sexta-feira, tremiam-lhe os joelhos. Pôs-se à frente da turma, disse o nome e depois, com palavras simples: «No primeiro dia, quis dizer: tenho fome. Disse: sou uma sandes.»

Durante um segundo, ninguém se mexeu. Depois, a turma toda riu-se, e o Yusuf viu que se riam com ele, não dele, e que isso era uma coisa muito diferente. Foi a primeira piada dele na língua nova. «Diz outra vez!», gritou a Mia. Na cantina, a senhora pôs um segundo pepinilho no tabuleiro dele. «Para a sandes», disse ela.

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