A Ewa era vigilante de incêndios havia vinte anos. Da sua torre de madeira com oitenta e dois degraus, vigiava a floresta à procura de fumo. Era o fim seco do verão. Às seis horas, o rádio disse que um grupo escolar, oito crianças e o professor, não tinha voltado de uma caminhada no Vale Negro. A busca começaria ao amanhecer.
Às nove e dez, a Ewa viu uma chama minúscula no fundo da floresta, ao longe. Com medo de um incêndio, chamou os bombeiros. Depois, apareceu uma segunda chama, e uma terceira, em triângulo.
A Ewa ficou gelada. Três fogueiras em triângulo são um sinal antigo: «Estamos perdidos. Estamos aqui.» Ela tinha-o ensinado a crianças na torre no verão passado. Não era um incêndio. Eram as crianças!
Durante três horas, manteve os binóculos nas fogueiras e guiou os salvadores pelo rádio. Também virou o grande holofote para o vale, para que as crianças soubessem que alguém as via. Antes da meia-noite, o rádio falou: «Encontrámo-los. Os nove.» A Ewa sentou-se no último degrau e riu-se e chorou.